Cai número de captação de órgãos

23/09/2007

LUCAS BARBOSA - lucas@correiodeuberlandia.com.br
Repórter

 

Aos 40 anos de idade, ele descobriu que tinha uma doença chamada bronquiolite obliterante, uma enfermidade que provoca a falta de oxigenação do pulmão para o coração. Mesmo apavorado com a notícia, ele não deixou que isso se transformasse numa barreira intransponível. Depois de passar por vários médicos e fazer diversos exames, o comerciante Roberto Rodrigues, hoje com 60 anos, começou a usar um tubo de oxigênio durante todo o dia.
Sem coragem para fazer um transplante de pulmão, ele ficou oito anos respirando por meio do aparelho. O medo logo foi superado por outro: o de morrer. Hoje, dois anos e quatro meses após conseguir um novo pulmão, Roberto Rodrigues voltou a trabalhar e fazer atividades que havia deixado de lado, como ir à fazenda. "O transplante mudou tudo. Hoje sou outra pessoa, com liberdade para tudo. Foi um renascimento. Na minha casa tem uma escada com 32 degraus. Antes eu não subia, hoje subo mais de quatro vezes por dia", revelou.
Sua história não é muito diferente das de outras 558 pessoas que estão na lista de espera da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos aguardando a doação. São 526 pacientes que esperam pelo transplante de rins e outros 32 por córneas. Pelo terceiro ano consecutivo, o número de captação de órgãos no Brasil caiu segundo dados da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (Abto).

Para inverter essa situação, o MG Transplantes regional oeste tenta sensibilizar e conscientizar a população por meio da 9a Campanha Nacional de Doação de Órgãos e Tecidos, com o tema da Vida a Gente Não Leva Nada. Mas Pode Deixar que aconteça de amanhã (24) até sábado.
"A dificuldade de entendimento dos familiares, que muitas vezes não querem fazer a doação, é o nosso maior desafio hoje. Elas precisam entender que ao doar estamos salvando vidas", explicou o diretor da gerência regional de saúde, Daltro Catani Filho.

Segundo a coordenadora técnica do MG Transplantes, Rita de Cássia Martins Pedrosa, o trabalho de sensibilização das pessoas é feito não apenas neste mês, mas durante todo o ano. "Não se muda uma cultura de um dia para o outro. Este é um desafio contínuo", ressaltou

 

 

 

 





 
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