Com os dois pulmões condenados, homem pede ajuda para transplante



Rodrigo Daniel Vieira tem 28 anos e está na fila de espera para transplante de pulmão. Ele adquiriu uma doença chamada silicose pulmonar, que condenou os dois órgãos. Médicos do Hospital São Paulo o orientaram a morar na capital para evitar perder o transplante, que pode acontecer a qualquer momento. Sem a mínima condição financeira para se mudar, ele pede a ajuda da população. Há meses ele já não respira sozinho. Precisa da ajuda do aparelho concentrador de ar, que filtra o oxigênio e o mantém respirando. Descobriu a doença em março do ano passado. Com a silicose pulmonar, o pulmão apresenta extenso acometimento por silicose, resultante de prolongada exposição ocupacional ao pó de sílica (geralmente anos ou décadas). A silicose causa intensa fibrose do parênquima pulmonar levando a uma pneumopatia restritiva (dificuldade de expansão). “Trabalhei quatro anos em uma empresa com jato de areia. Ao inspirar, partículas foram infiltradas em meu pulmão, tapando os furinhos que nos fazem respirar”. Vieira procurou ajuda médica em outubro de 2005. Primeiro procurou um otorrinolaringologista, que o encaminhou para um pneumologista e, através de um clínico geral, foram feitos os primeiros exames. Antes do diagnóstico preciso, as primeiras hipóteses eram tuberculose ou pneumonia e, por isso, ficou internado em isolamento por uma semana. “Os médicos viam o Raio-X e se assustavam. Dava para ver as lesões”. Contudo, foi retirada uma parte do órgão para biópsia, que constatou a doença. “O pó, a areia, estão grudados e fizeram com que os pulmões secassem. Os furinhos que ainda estão abertos não são suficientes para me manter respirando”. Vieira piorou no início desse ano, quando foi encaminhado para a fila de transplantes. De Limeira, o pneumologista Danilo Gullo Ferreira, que também faz parte da Secretaria da Saúde, acompanha o caso. Segundo Vieira, o concentrador de ar e um outro torpedo de ar móvel são emprestados da Prefeitura. Após outros 21 exames solicitados pelo Hospital São Paulo, além de um que constata o tabagismo e deu negativo, o paciente teve o nome incluído na lista de transplantes. Conforme a Gazeta mostrou na edição de ontem, existem 47 pessoas aguardando pulmão no Estado e, Vieira, é o 15º. Mas, como seu peso e altura são superiores à média dos pacientes, a qualquer momento podem chegar pulmões compatíveis. O problema é que este é o órgão mais delicado e agüenta ficar fora do corpo por volta de duas horas apenas. A AJUDAEste é o tempo que Vieira levaria para chegar até o Hospital São Paulo, que fica na rua do metrô Santa Cruz, no final da Avenida Paulista. “Isso pode acontecer a qualquer horário. E se não tiver ambulância disponível para me locomover? E se eu consigo, mas encontro um grande congestionamento na capital, que não é difícil?”. Estas foram as questões levantadas pelos médicos do hospital para o convencer de que há necessidade de se mudar, pelo menos por enquanto, nas imediações. No entanto, como Vieira já é aposentado por doença gravíssima, seu salário mensal chega a R$ 700. Eles passaram a não contar mais com o complemento da esposa, e precisam pagar R$ 250 de convênio médico, arcam com cerca de R$ 100 com um remédio para o estômago (o restante é subsidiado pelo governo), R$ 35 para carregar o torpedo (botijão de ar móvel) que tem duração de 5h, além do financiamento que fizeram do terreno e dos materiais de construção. “Não temos a mínima condição de pagar aluguel, ainda mais em São Paulo, onde o custo de vida é absurdo. E a água? E a energia? E como vamos comer?”. As pessoas que puderem colaborar com qualquer montante, pode depositar na conta número 2488-0 agência 3041-4, Banco Bradesco. O telefone de Vieira é 3443-8780 e o endereço é Rua Alcides Carlos Graf, 261, Jardim Graminha II, antiga rua quatro. (RR)Transplantada incentiva paciente e tenta criar ONGSilvana Vicentim Magalhães é uma grande incentivadora de Rodrigo Daniel Vieira. Ela já passou por cirurgia de transplante de pâncreas e rim e ficou na fila de espera por dois anos. “Sei exatamente como é este sofrimento. Quem nunca passou por isso não tem noção da dor que é rezar para conseguir viver. Mas, o que também dói e que é um motivo de muitas pessoas não apoiarem tanto nossa causa, é que dependemos da morte de outra pessoa”. Entretanto, há pouco tempo Silvana iniciou uma grande luta e, agora, pretende criar a Organização Não-Governamental (ONG) Transplante, Doação e Vida (TDV), mas precisa de apoio. Ela tem acompanhado o caso de Vieira, assim como auxilia outros, como de um paciente que aguarda transplante de rim há 15 anos. As pessoas que desejarem se engajar nesta luta podem entrar em contato com ela pelo telefone 3442-5645 ou 9722-8215. (RR)

Jornalista: Gazeta de Limeira





 
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