Transplantes: 30% dos hospitais não têm comissões  

Lei está em vigor há quase dois anos


EPTV Campinas


08/10/2007 - 13:38 - Muito se discute como aumentar a doação de órgãos e, conseqüentemente, o número de transplantes, que vem caindo no Estado de São Paulo esse ano. Uma das maneiras seria uma melhor estrutura dos hospitais na identificação de possíveis doadores.

Mas, na prática, isso parece longe de acontecer. Uma lei em vigor há quase dois anos prevê que as unidades de saúde com mais de 80 leitos tenham comissões especiais para cuidar de doações e transplantes. O problema é que, em pelo menos 30% dos hospitais, esse trabalho não existe.

O marido da técnica em enfermagem Marilene Cavalcanti Alves esperou por dois anos na fila de transplante de fígado. Mas, quando chegou a vez dele, não resistiu à operação. “Ele ficou mais de seis meses entre o quinto e o terceiro lugares da lista. Quando chegou ao primeiro lugar, ainda teve de esperar alguns meses. Ao fazer o transplante, já estava muito debilitado”, disse Marilene.

Mas muitas outras pessoas continuam na expectativa. A paciente Jessica Torres de Melo precisa de um transplante de pulmão e enfrenta uma espera angustiante. “É demorado e as doações estão muito difíceis. Por isso é importante estar sendo realizadas campanhas para aumentar os números de doações e a fila andar”, afirmou.

A principal medida para reduzir o tempo de espera dos transplantes é aumentar o número de doadores. Uma lei estadual determina que todos os hospitais com mais de 80 leitos tenham uma comissão que facilite as doações.

Max Braga é coordenador de uma dessas equipes, em um hospital em Sumaré. Seu trabalho é identificar possíveis doadores e esclarecer qualquer dúvida da família. “É preciso deixar claro para a família que, se ela desejar, poderá fazer a doação de órgãos do seu parente”, afirmou.

Apesar de ser importante, a medida ainda não é uma realidade em todos os hospitais com mais de 80 leitos do Estado. De acordo com a própria Secretaria da Saúde, pelo menos 30% deles não tem uma comissão atuante.

A Santa Casa de Valinhos, por exemplo, não tem uma comissão. Segundo a direção do hospital, o motivo é falta de dinheiro para fazer a retirada dos órgãos.

Helder Zambelli, que coordena uma organização de procura de órgãos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), considera fundamental que as comissões sejam instaladas e funcionem de forma adequada. “Isso é importante porque, dentro dos hospitais, vão existir pessoas capacitadas, que entendam do processo de doação e que possam ajudar no aumento das notificações e do número de doadores na região”, afirmou.

Em agosto deste ano, o numero de transplantes caiu mais de 3% em comparação com o mesmo mês do ano passado. Foram 740 cirurgias, contra 766 no ano passado.

Para o auxiliar de escritório Emerson Roberto Ribeiro, foi a solidariedade da irmã, Tânia Jussara Ribeiro Elias, que fez a diferença. Depois que a filha de Tânia nasceu, caiu a ultima barreira para que ela doasse um rim ao irmão. “Sabíamos que só o transplante poderia resolver a situação dele. Então, foi uma alegria sem tamanho. Se eu tivesse de fazer tudo de novo, eu faria”, disse.

A cirurgia representou o fim de sete anos de hemodiálise. “Mudou muito minha qualidade de vida. Nasci de novo”, afirmou.

A produção da EPTV entrou em contato com a Secretaria de Estado da Saúde para saber quando o treinamento nos hospitais deve ser concluído, mas até agora não obteve retorno. Quando ao custo da retirada de órgãos, reclamado pela direção da Santa Casa de Valinhos, a secretaria informou que grande parte das despesas é garantida pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já o que for gasto pelo próprio hospital, a direção pode pedir reembolso.

 

 

 





 
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