PERGUNTAS E REPOSTAS

O que é transplante?

Transplante é um procedimento cirúrgico que consiste na reposição de um órgão ou tecido de uma pessoa doente (RECEPTOR) por outro órgão normal de um DOADOR, em geral morto. Existem, também, transplantes entre pessoas vivas, no caso de órgãos duplos.


Transplante é cura?

Não. É um tratamento que pode prolongar a vida com melhor qualidade. O transplantado exige cuidados médicos constantes e usa uma série de medicamentos pelo resto da vida. É uma forma de substituir um problema de saúde incontrolável por outro sob o qual se tem controle.


Quando os médicos indicam um transplante?

Os transplantes apenas são indicados quando todas as outras terapias foram consideradas ou excluídas. Nesses casos, em geral, os transplantes constituem-se na única alternativa de sobrevivência e/ou de melhoria da qualidade de vida.


O que é doação de órgãos e tecidos?

A doação de órgãos é um ato pelo qual manifestamos a vontade de que, a partir do momento de nossa morte, uma ou mais partes do nosso corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas.


Quem pode ser doador?

Todos nós podemos ser doadores de órgãos, desde que não sejamos portadores de doenças transmissíveis - AIDS, por exemplo -, de infecções graves e de câncer generalizado.


"Hoje, só não é doador de órgãos quem não quer. Mas quem não quer ajudar a salvar a vida de alguém que precisa de uma doação? Caso seja você, não precisa se sentir constrangido. Se um dia você precisar receber um coração, milhares de brasileiros vão estar dispostos a lhe doar um que seja bom. Faça também como eles. Não deixe de ser doador de órgãos”. (De uma peça publicitária da Ampla Comunicação)


Quem não pode ser doador?

Não podem ser doadores, como explicitado na resposta anterior, as pessoas com doenças infecciosas incuráveis e câncer generalizado ou ainda as pessoas com doenças que, pela sua evolução, tenham comprometido o estado dos órgãos, e também pessoas sem identidade ou menores de 21 anos sem a autorização dos responsáveis.


Só é possível doar após a morte?

É possível também a doação entre vivos (parentes próximos), no caso de órgãos duplos (rim, por exemplo). No caso do fígado e do pulmão, também é possível o transplante entre vivos. Neste caso, apenas partes dos órgãos dos doadores são transplantadas para os receptores.


Por que é difícil doar órgãos?

Não é difícil, mas alguns de nós temos medo da morte. Não queremos preocupações com este tema em vida. É muito mais cômodo não pensarmos sobre isso, porque "não acontece comigo ou com a minha família". Quanto ao pensamento: "Isso só acontece com o vizinho ou com os outros", lembre-se de que o vizinho e os outros também pensam assim.


Quais (e quantas) são as partes do corpo que podem ser doadas para transplante?

Mais freqüente: 2 rins, 2 pulmões, coração e fígado, 2 córneas, 2 válvulas cardíacas ou 10 partes. Menos freqüente: rim e pâncreas juntos. Fora do Brasil, também são utilizados o estômago e o intestino. Sem contar pele e ossos e até mesmo uma parte completa (mão).


ÓRGÃOS: coração, pulmões, rins, fígado, pâncreas, intestino, estômago, mão.


TECIDOS: medula óssea, válvulas cardíacas, córneas, pele, dura mater, ossos do ouvido interno, cartilagem costal, crista ilíaca, cabeça do fêmur, tendão da patela, pele, ossos longos, fascia lata, veia safena.


Posso doar um dos órgãos duplos (rim, por exemplo) para quem eu quiser?

Pode, em termos. No caso da doação entre vivos, ela pode ser dirigida para um parente até quarto grau.


Existe limite de idade para ser doador ou receptor?

O que determina o uso de partes do corpo para transplante é o seu estado. Em geral, aceitam-se os seguintes limites, em anos: rim (75), fígado (70), coração e pulmão (55), pâncreas (50), válvulas cardíacas (65), córneas (sem limite), pele e ossos (65).


Quantas pessoas necessitam de transplante por ano no Brasil?

Mais de 56.000 pessoas estão em lista de espera por um transplante. Este número tende a aumentar porque cerca de 30% morre antes de conseguir um doador e menos de 10% recebe um órgão doado, a cada ano.


Eu quero ser doador(a). Que devo fazer?

A atitude mais importante é dizer para a família e para os amigos que somos doadores, pois, pela legislação atual, todos nós somos doadores, desde que a família autorize a retirada dos órgãos. Por isso, é muito importante que os amigos e os familiares saibam da sua opção de doar. Use um símbolo (um selo de doador, por exemplo) que indique claramente esta opção em seu documento de identidade.


Transplante é a melhor escolha de tratamento para mim?

Depende do tipo de transplante que você precisa. Se você é candidato a um rim, é possível que possa optar em continuar fazendo diálise pelo resto da vida. Se for candidato a um coração, ou pulmão, ou fígado, infelizmente não existe tratamento alternativo.

 

Qual a chance de sucesso dos transplantes?

É alta. Mas muita coisa depende de particularidades pessoais, o que não permite uma resposta genérica. Por exemplo, pessoas que fizeram transplante de rim há mais de 25 anos, tiveram filhos e levam uma vida ativa normal.


Como sei se um familiar ou amigo pode doar para mim?

Se você precisa de um rim, medula óssea ou parte do fígado, um familiar ou amigo podem ser doadores. O doador deve ser submetido a uma bateria de exames de compatibilidade, sempre sob a orientação de médicos, para determinar esta possibilidade.


Quais são os riscos para um familiar ou amigo, se ele doa?

Existe o risco associado a uma cirurgia de grande porte. Quanto ao risco de prejuízo à saúde após o transplante, é muito difícil de ser avaliado, da mesma forma como não era possível avaliar a possibilidade de você se tornar um candidato a um transplante quando a sua saúde era perfeita.


Como sou colocado em uma lista de espera?

Os médicos, o candidato e sua família levam em conta os seguintes aspectos para colocar alguém em uma lista de espera por um transplante:

  • Todas as outras terapias possíveis já foram consideradas?
  • O paciente não sobreviverá sem o transplante?
  • O candidato não tem outros problemas, inclusive psicológicos, que inviabilizem o transplante?
  • O candidato tem condições para assumir um estilo de vida que inclui o uso contínuo de medicamentos e freqüentes exames laboratoriais e hospitalares após o transplante?


Após ser avaliado se os demais órgãos não estão comprometidos, e se tem condição psicológica de, após o transplante, seguir estritamente as recomendações médicas pelo resto da vida, você receberá um órgão que é um presente de vida.


Onde posso falar com outras pessoas que estão passando pela experiência de uma lista de espera?

Isso é muito importante. Em geral, os médicos que lhe indicaram o transplante sabem quem pode lhe orientar. Procure uma associação de transplantados ou outra que se dispõe a ajudar pessoas nessa situação.


Quando podemos doar?

Como já foi dito, a doação de órgãos, como rim, parte do fígado e da medula óssea pode ser feita em vida. Mas, em geral, nos tornamos doadores quando ocorre a MORTE ENCEFÁLICA. Tipicamente, são pessoas que sofreram um acidente que provocou um dano na cabeça (acidente com carro, moto, quedas, etc.).

O que é morte encefálica?

Morte encefálica é a morte da pessoa, causada por uma lesão do encéfalo após traumatismo craniano, tumor ou derrame. É a interrupção irreversível das atividades cerebrais. Como o cérebro comanda as atividades do corpo, quando morre, os demais órgãos e tecidos também morrem.

 

Após a morte encefálica todos os órgãos morrem?

Sim. Alguns resistem mais tempo, como as córneas e a pele. Outros, como o coração, o pulmão, os rins e o fígado sobrevivem por muito pouco tempo.


Como as partes do corpo podem ser aproveitadas após a morte encefálica?

Por algum tempo, as condições de circulação sangüínea e de respiração poderão ser mantidas por meios artificiais (medicamentos que aumentam a pressão arterial, respiradouros etc.), até que seja viabilizada a remoção dos órgãos para transplante.


Quando uma pessoa entra em coma, torna-se um potencial doador?

Não. Coma é um processo reversível. Morte encefálica, como o próprio nome sugere, não. Uma pessoa somente torna-se potencial doadora após o correto diagnóstico de morte encefálica e a autorização da família para a retirada dos órgãos.


Qualquer médico pode fazer o diagnóstico de morte encefálica de um provável doador?

Não. Pelo menos um deve ser neurologista. Nenhum deles pode fazer parte da equipe que faz transplante.


A morte encefálica pode ser diagnosticada em qualquer hospital?

Em princípio sim, porque o diagnóstico básico é clínico. Contudo, alguns hospitais não têm condições de complementar esse diagnóstico com um exame laboratorial, como a lei exige. Entretanto, desde que haja necessidade, uma equipe médica e equipamentos podem ser deslocados de um hospital para outro.


Há chance de os médicos errarem no diagnóstico de morte encefálica?

Não. Se for seguido o protocolo, que está muito bem documentado, a chance de erro não existe.


É possível o diagnóstico de morte encefálica apenas com um exame clínico?

Sim, o diagnóstico é clínico, mas pela legislação brasileira este diagnóstico deve ser confirmado com outro método de análise: eletroencefalograma, angiografia cerebral, entre outros. Em alguns países essa exigência não existe.


Os órgãos retirados podem ser guardados para posterior transplante?

Em termos. Após a retirada, os órgãos suportam muito pouco tempo sem circulação sangüínea. No máximo: pulmão e coração (4-6h), fígado (12-24h), pâncreas (12-24h), rins (24-48h), córneas (até 7 dias).

Quem retira os órgãos de um doador?

Desde que haja um receptor compatível, a retirada dos órgãos para transplante é realizada em um centro cirúrgico, por uma equipe de cirurgiões com treinamento específico para este tipo de procedimento. Após, o corpo é devidamente recomposto e liberado para os familiares. A equipe de retirada de órgãos faz parte do Rio Transplante, que é um órgão do governo, o que impede a comercialização de órgãos e regulamenta a fila de transplantes. (NÃO INCLUIR)


Existe algum conflito de interesses entre os atos de salvar a vida de um potencial doador e a retirada dos órgãos para transplante?

Absolutamente não. A retirada dos órgãos para doação e transplante somente é considerada quando todos os esforços para salvar a vida de uma pessoa tenham sido realizados.


Se eu doar os meus órgãos, após a minha morte o meu corpo vai ser utilizado para estudo em escolas de medicina?

Não. Mas se você quiser doar todo o seu corpo para estudo, você pode. Pode acontecer que um coração doado não seja integralmente transplantado, e sim partes (válvulas) dele.


Como funciona o sistema de captação de órgãos?

Se existe um doador em potencial (vítima de acidente com traumatismo craniano, derrame cerebral etc., com autorização da família para que ocorra a retirada dos órgãos.), a função vital dos órgãos deve ser mantida. É realizado o diagnóstico de morte encefálica. Seguem-se, então, as seguintes ações:

(1) Hospital notifica a Central de Transplantes sobre um paciente com morte encefálica (potencial doador).

(2) A Central de Transplantes pede confirmação do diagnóstico de morte encefálica e inicia os testes de compatibilidade entre o potencial doador e os potenciais receptores em lista de espera. Quando existe mais de um receptor compatível, a decisão de quem receberá o órgão passa por critérios tais como tempo de espera e urgência do procedimento.

(3) A Central de Transplantes emite uma lista de potenciais receptores para cada órgão e comunica aos hospitais (Equipes de Transplante) onde eles são atendidos.

(4) As Equipes de Transplante, junto com a Central de Transplantes, adotam as medidas necessárias para viabilizar a retirada dos órgãos (meio de transporte, cirurgiões, pessoal de apoio etc.).

(5) Os órgãos são retirados e os transplantes realizados.

Quem são os beneficiados com os transplantes?

Milhares de pessoas, inclusive crianças, contraem doenças cujo único tratamento é um transplante. A espera por um doador, que às vezes não aparece, é dramática. A lista de espera por um pulmão, por exemplo, é renovada a cada ano, porque a maioria morre sem conseguir um doador.

Como ser doador no momento do óbito de um familiar?

Um dos membros da família pode manifestar o desejo de doar os órgãos ao médico que atendeu o familiar, ou à administração do hospital, ou, ainda, entrar em contato com uma Central de Transplantes que tomará as providências necessárias. Se a sua família quer mesmo adotar esta atitude de doação, aconselha-se que insista com a equipe médica do hospital para que as providências sejam tomadas.


Se for tomada a decisão de doar os órgãos de um familiar, quanto isso vai custar?

A família de um potencial doador não paga pelos procedimentos de manutenção. Existe cobertura do SUS para este procedimento.

 

Na distribuição de um órgão doado para transplante, é considerada a raça do doador ou do receptor?

Não. Quando um órgão é captado por uma Central de Transplantes, a raça do doador é uma informação considerada como registro estatístico apenas. Não tem nenhum efeito sobre a distribuição para receptores.


Tenho um familiar em lista de espera por um transplante. Sou compatível com ele. Se eu morrer, posso ser o seu doador?

Não. Os seus familiares não podem escolher o receptor. O receptor será sempre indicado pela Central de Transplantes com base apenas em critérios de compatibilidade e de urgência do procedimento.


Que critérios de compatibilidade entre doador e receptor são considerados?

Compatibilidade sangüínea; histocompatibilidade (de tecidos); peso e tamanho do órgão. Se existe mais de um paciente com o mesmo perfil para receber o órgão, será escolhido aquele em estado mais grave. Este poderá (ou não) ser um familiar seu.


Tenho receio de que meus órgãos sejam comercializados. É possível?

Isso é um rumor. Há tantas variáveis envolvidas que as chances de comercialização são desprezíveis. O fato trágico e triste é que muitas pessoas acreditam em rumores deste tipo, o que contribui para a diminuição do número de doações. Uma coisa é certa: até hoje, em nenhum lugar do mundo foi comprovado o rumor de que existe um "mercado negro" de órgãos para transplante. Em países como a Índia são vendidos órgãos como rins. Mas lá, essa é uma operação legal. Não é um mercado negro. São pessoas pobres que voluntariamente "doam" rins em troca de alguma compensação.


Em meus documentos existe a frase: não doador de órgãos e tecidos. Se, por acaso, eu precisar de um transplante no futuro posso ser um receptor?

Sim. Com toda a certeza. Por isso, você não vai ser discriminado. Mas lembre-se de que, se você for doador, pode contribuir para a sobrevivência de muitos outros no futuro. A propósito, desde janeiro de 2001 não existe mais a necessidade de se fazer essa opção nos documentos de identificação.


Se uma pessoa é doadora e quando chega ao hospital não encontram os seus documentos, nem os seus familiares, os órgãos serão retirados para transplantes?

Não. Pessoas sem identidade, indigentes e menores de 21 anos sem autorização dos responsáveis não são consideradas doadoras.

 

Quero ser doador(a); a minha religião permite?

Todas as religiões encorajam a doação de órgãos e tecidos como uma atitude de preservação da vida, um ato caridoso de amor ao próximo e de decisão individual de seus seguidores.


As pessoas têm vida normal após um transplante?

Os receptores tomam diversas drogas para evitar a rejeição. Essas drogas, usadas pelo resto da vida, podem causar efeitos indesejáveis, os quais exigem o uso de outras drogas. Mas as estatísticas mundiais mostram que mais de 80% do transplantados retornam à vida normal.


Qual o risco dos transplantes?

Existem os riscos inerentes a uma cirurgia de grande porte. Após o transplante, o principal problema é a REJEIÇÃO. Para prevenir este efeito, a pessoa usa medicamentos que debilitam o sistema imunológico. Por esta razão, estão mais sujeitos a infecções e a outras doenças "oportunistas".


O que significa rejeição?

As células do nosso sistema imunológico percorrem cada parte de nosso corpo procurando e conferindo se algo difere do que elas estão acostumadas a encontrar. Estas células identificam um órgão transplantado como sendo algo diferente do resto do corpo e ameaçam destruí-lo. Isso é rejeição.


Não existe controle para a rejeição?

Existe. Em 1983 a barreira da REJEIÇÃO foi parcialmente superada com o advento de uma poderosa droga – a Ciclosporina – que, combinada com outras, inibe as células do sistema imunológico na sua tentativa de destruir o órgão transplantado.


Ocorre rejeição em todos os transplantes?

Sim. A rejeição, potencialmente, existe em todos os transplantes. Quanto maior o grau de compatibilidade genética entre doador e receptor, mais fácil o controle. Não existe rejeição somente nos casos de gêmeos idênticos.


O que acontece se, após o transplante, ocorrer rejeição?

 

(1) O paciente é tratado com medicamentos contra a rejeição e, eventualmente, pode vir a perder o órgão.

(2) No caso do rim, o paciente retorna para o tratamento de diálise e entra novamente na lista de espera para um novo transplante. Se o órgão implantado for coração, pulmão ou fígado, um novo transplante tem que ser feito imediatamente, sem o quê ocorre a morte.

 

Quem faz transplante no Brasil?

Segundo a ABTO, existem no Brasil cerca de 400 equipes médicas cadastradas para realizar transplantes de órgãos: rim, rim/pâncreas, fígado, coração, pulmão, medula óssea, córneas etc.


Posso candidatar-me para um transplante em outro país?

Pode. Nos EUA, por exemplo, pacientes estrangeiros com indicação de transplante podem ser inscritos em uma lista de espera. Uma vez aceito, o paciente estrangeiro pode receber um órgão com base nos mesmos critérios estabelecidos para um cidadão americano.

 

Quem paga a conta dos transplantes?

Em geral, os transplantes realizados no Brasil são pagos pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A maioria dos planos privados de saúde não cobre este tipo de atendimento.


O que é compatibilidade sangüínea?

 

(1) Doador e receptor devem ser compatíveis com respeito ao tipo de sangue. Existem quatro tipos básicos de sangue, em um sistema de classificação conhecido como Sistema ABO. Na ordem de freqüência de ocorrência na população, do mais comum ao mais raro, são: O, A, B, e AB.

(2) O tipo de sangue de um indivíduo é determinado geneticamente pelos "alelos" herdados dos pais. Alelos são formas possíveis de um gene, que ocupa determinado locus no cromossomo. No caso do tipo sangüíneo, existem três alelos: A, B e O, os quais permitem seis combinações.

(3) A e B são alelos co-dominantes, e o tipo O é chamado de recessivo. Para que o tipo recessivo se expresse em um indivíduo, ele tem que herdar os dois alelos dos pais. Em outras palavras, para ser do grupo sangüíneo O, ele tem que herdar um alelo O do pai e um alelo O da mãe.

(4) Indivíduos que herdam um alelo A de um dos pais e outro O, são do tipo A; os que herdam um alelo B e outro O, são do tipo B; se herdam um alelo A e outro B, são do tipo AB. Para ser do tipo O têm que herdar os dois alelos O, um do pai e outro da mãe.

(5) A ocorrência percentual aproximada dos tipos sangüíneos na população brasileira é a seguinte: 49% do tipo O; 25% do tipo A; 22% do tipo B e 4% do tipo AB.

O que é histocompatibilidade?

(1) Em alguns transplantes, como o de rim, o doador e o receptor, além de serem compatíveis para o sistema ABO, ou seja, para o grupo sangüíneo, devem ser também compatíveis em termos de tecidos, isto é histocompatíveis.

(2) A medida da histocompatibilidade é expressa em termos da Compatibilidade HLA (abreviatura da expressão inglesa Human Leukocyte Antigens ou Antígeno Leucocitário Humano). Por sua vez, antígeno é qualquer substância capaz de provocar a formação de anticorpos.

(3) Anticorpos são substâncias formadas como resposta a um estímulo imunogênico, capazes de interagir com antígenos que promoveram a sua síntese ou com outro relacionado com ele.

(4) Quando duas pessoas compartilham os mesmos antígenos do sistema HLA, elas são compatíveis, isto é, os seus tecidos são imunologicamente compatíveis. Existem vários grupos de HLA. Os mais importantes no caso dos transplantes são: HLA-A, HLA-B e HLA-DR.

(5) O tipo HLA de um indivíduo é herdado dos seus pais; um grupo HLA do pai e outro da mãe. Cada um desses grupos é conhecido como haplotipo. Cada indivíduo tem, portanto, dois haplotipos de HLA distintos. Os filhos de dois indivíduos quaisquer da população herdam um haplotipo do pai e outro haplotipo da mãe.

(6) Cada indivíduo tem 25% de chance de herdar 2 haplotipos iguais aos de um irmão; 25% de nenhum dos haplotipos dos seus irmãos e 50% de chance de compartilhar pelo menos um haplotipo com seus irmãos. Logo, cada indivíduo tem uma chance em quatro (25%) de ter um irmão compatível.

(7) Entre não-irmãos, a chance de se encontrar dois indivíduos histocompatíveis varia entre 1 para cada 10.000 e 1 para cada 100.000.

 

 

 

Quem precisa de um transplante?

Não é o propósito dessa página descrever as doenças que levam a uma indicação de transplante, mas algumas indicações são necessárias. Os transplantes são indicados para resolver os problemas de mau funcionamento de um órgão, cuja causa, em geral, tem como base as doenças a seguir indicadas:


Coração
Tipicamente, quem precisa de um transplante de coração são pessoas em geral entre 15 e 50 anos de idade, com insuficiência cardíaca grave, que não respondem ao tratamento médico-cirúrgico convencional. Depois do câncer, a causa de morte mais comum, em muitos países, é a doença coronariana, que é uma importante causa de insuficiência cardíaca e, portanto, uma indicação freqüente de transplante.


A miocardiopatia dilatada idiopática é uma outra condição que resulta em insuficiência cardíaca grave. No Brasil, uma causa importante de miocardiopatia dilatada é a doença de Chagas.


As pessoas com insuficiência cardíaca grave apresentam-se cansadas, com falta de ar ao menor esforço ou mesmo em repouso e, em geral, com inchaço (edema) nas pernas e nos tornozelos.

Rim

A Insuficiência Renal Crônica Terminal, causada por Glomerulonefrite, Pielonefrite, Doença Cística, Nefropatia Diabética, Doença Vascular Renal ou Hipertensão Arterial, é a causa básica de indicação de transplante renal. O transplante de rim é indicado na insuficiência renal terminal, quando a função dos rins é inferior a 10% da sua capacidade de funcionamento.


O transplante de rim não é a única maneira de se lidar com a insuficiência renal crônica terminal. Existe a alternativa da diálise, que substitui artificialmente a função excretora dos rins. Na hemodiálise, o sistema circulatório da pessoa é conectado a uma máquina de diálise, onde o excesso de uréia e outros resíduos passam do sangue para um líquido apropriado. Em geral, esse processo leva de três a cinco horas e tem que ser repetido três vezes por semana, geralmente em um hospital ou clínica especializada.

Outra forma de diálise é a peritonial ambulatorial contínua (DPAC ou CAPD), na qual um cateter fica permanentemente fixo ao abdômen. A própria pessoa introduz o líquido da diálise para a cavidade abdominal e a difusão dos resíduos (uréia e outros) se desenvolve no peritônio. A cada seis horas o líquido é trocado por um novo, processo que dura de 30 a 40 minutos. Nos intervalos, a pessoa exerce as suas atividades normais. A principal complicação dessa modalidade de diálise é a infecção peritonial, que pode ocorrer, em geral, como conseqüência de contaminação durante o manuseio do material utilizado.


Fígado

Os transplantes hepáticos tornam-se necessários quando a insuficiência do órgão atinge um grau incompatível com a vida. Essa situação pode ser resultado de diversas condições, sendo a principal delas a cirrose que é, por sua vez, causada, na maior parte dos casos, por alguns tipos de hepatite ou uso abusivo do álcool. O câncer hepático primário é considerado uma indicação para transplante de fígado, embora a malignidade apresente tendência a produzir metástases. Câncer hepático secundário, ou seja, proveniente de outras partes do corpo, não é indicação para transplante.


Pulmão

As pessoas portadoras de quaisquer uma das seguintes doenças são potenciais candidatas a um transplante pulmonar: unilateral (Fibrose Pulmonar Idiopática ou Secundária, Enfisema Pulmonar, ou bilateral (Bronquiectasias, Doença Bronco-Pulmonar Obstrutiva Crônica – DBPOC – Hipertensão Pulmonar (Primária ou Secundária) e Fibrose Cística).


Pâncreas

O transplante de pâncreas tem sido utilizado em três situações, em pacientes diabéticos do tipo 1:

  • Pacientes diabéticos que já receberam um transplante renal prévio. Neste caso, já estão utilizando a imunossupressão: transplante de pâncreas após o transplante de rim.
  • Pacientes diabéticos com doença renal grave, em diálise, necessitando de transplante renal: transplante simultâneo de rim e pâncreas.
  • Pacientes diabéticos sem insuficiência renal e com diabete de difícil controle: transplante isolado de pâncreas.

 

Córneas

A Ceratocone, uma deformidade da córnea que forma um cone, é uma das principais causas de indicação de transplante de córneas. Em geral, não ocorre rejeição.


Medula Óssea

O transplante de medula óssea (TMO) é uma terapia de muita eficácia para muitas doenças, e não só para leucemia, como costumamos imaginar. Outras doenças, como câncer ósseo, anemias hereditárias (como a falciforme) e a deficiência congênita do sistema imunológico são algumas entre várias outras tratadas com o TMO.


A indicação para um transplante é feita com muito critério. Embora os portadores das doenças acima mencionadas sejam potenciais candidatos a um transplante, nem todos preenchem os requisitos para serem incluídos em uma lista de espera. Além de vários aspectos médicos, são ainda levados em consideração possíveis problemas que eventualmente possam ter influência nos resultados em longo prazo, dependentes das condições de vida. O médico, o candidato e os seus familiares devem levar em consideração pelo menos quatro questões principais:

  • Todas as outras terapias foram tentadas ou descartadas?
  • A pessoa não sobreviverá sem o transplante?
  • Excluindo o órgão doente, é bom o seu estado geral de saúde?
  • A pessoa está psicologicamente preparada para, após o transplante, uma mudança do estilo de vida que inclui o uso regular de medicamentos com paraefeitos drásticos e visitas freqüentes a um hospital para exames de controle?
Fonte: ADOTE

 

 





 
© 2007 Transplante Pulmonar Online Inc. All rights reserved. layout by Rodrigo Tebaldi